segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Aleah

Água e Vinho
Estou perdido sem você
Mas agora eu também estou perdido com você
Como posso saber o que fazer
Quando o que você me diz não é verdade
Aprenda a distinguir
É o que você diz
Quando na minha fúria
Eu me afasto
Mostre-me seu sinal
Água e vinho
Eu preciso que você seja
Mais do que uma voz em mim
Mostre-me seu rosto
Ou pelo menos alguma prova de sua graça
Eu preciso que você seja
Mais do que uma luz em mim
Pelo menos hoje...
Abrace-me na minha dor
Mas você tem causado a mesma
Por que você não pratica o que prega?
Que bem veio disso, a maneira que você ensina?
Aprenda a distinguir
É o que você diz
Quando na minha fúria
Eu me afasto
Deixe-me em paz
Deixe-me ser sem minhas esperanças
Sem meus medos
Não, não abandone-me, deixe-me
Veja a verdade
Prove minhas lágrimas, minhas lágrimas amargas
Causadas por você...

Papermaps

domingo, 12 de agosto de 2012

Vera Queiroz

 

Gravei as palavras do teu poema.
Para que ninguém,
jamais,além do meu coração saiba.
Que o poema mais lindo,
hoje escreveste em mim.


Vera Queiroz

 

Foto: Gravei as palavras do teu poema.
Para que ninguém,
jamais,além do meu coração saiba.
Que o poema mais lindo,
hoje escreveste em mim.

Vera Queiroz

sábado, 11 de agosto de 2012

O poeta

O poeta

A vida do poeta tem um ritmo diferente

É um contínuo de dor angustiante.

O poeta é o destinado do sofrimento

Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza

E a sua alma é uma parcela do infinito distante

O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende.

Ele é o etemo errante dos caminhos

Que vai, pisando a terra e olhando o céu

Preso pelos extremos intangíveis

Clareando como um raio de sol a paisagem da vida.

O poeta tem o coração claro das aves

E a sensibilidade das crianças.

O poeta chora.

Chora de manso, com lágrimas doces, com lágrimas tristes

Olhando o espaço imenso da sua alma.

O poeta sorri.

Sorri à vida e à beleza e à amizade

Sorri com a sua mocidade a todas as mulheres que passam.

O poeta é bom.

Ele ama as mulheres castas e as mulheres impuras

Sua alma as compreende na luz e na lama

Ele é cheio de amor para as coisas da vida

E é cheio de respeito para as coisas da morte.

O poeta não teme a morte.

Seu espírito penetra a sua visão silenciosa

E a sua alma de artista possui-a cheia de um novo mistério.

A sua poesia é a razão da sua existência

Ela o faz puro e grande e nobre

E o consola da dor e o consola da angústia.

A vida do poeta tem um ritmo diferente

Ela o conduz errante pelos caminhos, pisando a terra e olhando o céu

Preso, eternamente preso pelos extremos intangíveis.

Vinicius de Moraes

 

 

FINA TORRES

 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Meditação

Meditação

Foto de: Matthieu Belin


Às vezes, quando a noite vem caindo,
Tranquilamente, sossegadamente,
Encosto-me à janela e vou seguindo
A curva melancólica do Poente.
Não quero a luz acesa. Na penumbra,
Pensa-se mais e pensa-se melhor.
A luz magoa os olhos e deslumbra,
E eu quero ver em mim, ó meu amor!
Para fazer exame de consciência
Quero silêncio, paz, recolhimento
Pois só assim, durante a tua ausência,
Consigo libertar o pensamento.
Procuro então aniquilar em mim,
A nefasta influência que domina
Os meus nervos cansados; mas por fim,
Reconheço que amar-te é minha sina.
Longe de ti atrevo-me a pensar
Nesse estranho rigor que me acorrenta:
E tenho a sensação do alto mar,
Numa noite selvagem de tormenta.
Tens no olhar magias de profeta
Que sabe ler no céu, no mar, nas brasas...
Adivinhas... Serei a borboleta
Que vendo a luz deixa queimar as asas.
No entanto — vê lá tu!— Eu não lamento
Esta vontade que se impõe à minha...
Nem me revolto... cedo ao encantamento...
— Escrava que não soube ser Rainha!

Fernanda de castro

Foto de: Matthieu Belin

Vera Queiroz

 

Gravei as palavras do teu poema.
Para que ninguém,
jamais,além do meu coração saiba.
Que o poema mais lindo,
hoje escreveste em mim.
Vera Queiroz

Foto: Gravei as palavras do teu poema.
Para que ninguém,
jamais,além do meu coração saiba.
Que o poema mais lindo,
hoje escreveste em mim.

Vera Queiroz

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

E NÃO VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE

 

publicado em fotografia por branca dias | 1 comentário

Tudo começa com "Era uma vez" e termina em "E foram felizes para sempre". O desenrolar da história perde-se num momento, numa ocasião. O interruptor da luz impulsiona a narrativa e, depois de para sempre, há o mergulho na escuridão. O fim da história. Para sempre é muito tempo. Que promessa é esta? Que certeza? Como pode um final feliz terminar com um ponto final? Onde estão as vírgulas, as interrogações das incertezas e as reticências do silêncio? Conheça o disparo do fotógrafo Thomas Czarnecki sobre os contos de fada.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "The little Mermaid - On the other shore".

Conto. Não conto. Conto? Este conto não tem um final feliz. O seu fim é trágico, o ambiente é decadente, obscuro e mórbido. As personagens são figuras femininas da Disney que o leitor talvez reconheça como princesas. O tempo, esse, se mantém: "era uma vez..." E o fim? Como seria de esperar, é “Não viveram felizes para sempre”.

"From Enchantement to Down" ("Do encantamento à queda") é o disparo lançado pela objectiva do fotógrafo Thomas Czarnecki, que torna os contos de fada da Disney não num sonho, mas num pesadelo. Czarnecki estudou publicidade em Saint-Luc, na Bélgica, e é o atual diretor de arte da Leo Burnett, em Paris, continuando a trabalhar como fotógrafo freelancer.

O choque entre a inocência dos contos de fadas e a realidade sombria da cultura foram a alavanca que levaram o fotógrafo às encruzilhadas da inocência e doçura das personagens da Disney bem como a recriar um novo universo. Um campo imaginário com um destino fatal, de personagens sem encanto, e o confronto do universo ingénuo e inocente dos contos de fadas com a realidade. O mistério está no autor da tragédia, que não se encontra presente.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "Cinderella - Too fast".

As doze badaladas da meia noite não assinalavam simplesmente a fuga da Cinderela. A pressa determinou a sua morte, sendo assinalada pela perda do sapato.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "Snow White - My sweet Prince".

A Branca de Neve não foi salva pelo príncipe. Terá sido verdadeiro e decisivo o golpe da rainha? O mesmo acontece com o Capuchinho Vermelho. Atacada pelo lobo? Imagens sinistras, cenas de crime e quartos abandonados traduzem a inquietação da narrativa.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "The little red ridding hood - Happy end".

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "Spleeping Beauty - Naughty girl".

A Bela Adormecida, afinal, foi vítima da sua desobediência e comportamentos impróprios. A maldição estava incutida nela própria e não no exterior.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "Pocahontas - One more trophy".

Pocahontas era apenas um mito romântico. Thomas Czarnecki retrata-a como um troféu de alguém – uma vitória que viola os princípios da ética e é fortemente desencorajada.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "The Beauty and the Beast - Not so romantic".

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "Jasmine - One last wish".

A Bela e a Fera ficaram aquém do romantismo, a Jasmine foi intoxicada com o seu último desejo, a Pequena Sereia morreu na praia e a ambição e curiosidade da Alice no Pais das Maravilhas aprisionaram-na a uma caverna sombria. O símbolo da sua curiosidade, o coelho branco, jaz morto.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "Alice - just a trap".

As fotografias de Thomas Czarnecki são o último suspiro dos contos de fadas, questionando as suas promessas e profecias.

Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2012/06/e_nao_viveram_felizes_para_sempre.html#ixzz22oK2kwri

 

Tudo começa com "Era uma vez" e termina em "E foram felizes para sempre". O desenrolar da história perde-se num momento, numa ocasião. O interruptor da luz impulsiona a narrativa e, depois de para sempre, há o mergulho na escuridão. O fim da história. Para sempre é muito tempo. Que promessa é esta? Que certeza? Como pode um final feliz terminar com um ponto final? Onde estão as vírgulas, as interrogações das incertezas e as reticências do silêncio? Conheça o disparo do fotógrafo Thomas Czarnecki sobre os contos de fada.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "The little Mermaid - On the other shore".

Conto. Não conto. Conto? Este conto não tem um final feliz. O seu fim é trágico, o ambiente é decadente, obscuro e mórbido. As personagens são figuras femininas da Disney que o leitor talvez reconheça como princesas. O tempo, esse, se mantém: "era uma vez..." E o fim? Como seria de esperar, é “Não viveram felizes para sempre”.

"From Enchantement to Down" ("Do encantamento à queda") é o disparo lançado pela objectiva do fotógrafo Thomas Czarnecki, que torna os contos de fada da Disney não num sonho, mas num pesadelo. Czarnecki estudou publicidade em Saint-Luc, na Bélgica, e é o atual diretor de arte da Leo Burnett, em Paris, continuando a trabalhar como fotógrafo freelancer.

O choque entre a inocência dos contos de fadas e a realidade sombria da cultura foram a alavanca que levaram o fotógrafo às encruzilhadas da inocência e doçura das personagens da Disney bem como a recriar um novo universo. Um campo imaginário com um destino fatal, de personagens sem encanto, e o confronto do universo ingénuo e inocente dos contos de fadas com a realidade. O mistério está no autor da tragédia, que não se encontra presente.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "Cinderella - Too fast".

As doze badaladas da meia noite não assinalavam simplesmente a fuga da Cinderela. A pressa determinou a sua morte, sendo assinalada pela perda do sapato.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "Snow White - My sweet Prince".

A Branca de Neve não foi salva pelo príncipe. Terá sido verdadeiro e decisivo o golpe da rainha? O mesmo acontece com o Capuchinho Vermelho. Atacada pelo lobo? Imagens sinistras, cenas de crime e quartos abandonados traduzem a inquietação da narrativa.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "The little red ridding hood - Happy end".

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "Spleeping Beauty - Naughty girl".

A Bela Adormecida, afinal, foi vítima da sua desobediência e comportamentos impróprios. A maldição estava incutida nela própria e não no exterior.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "Pocahontas - One more trophy".

Pocahontas era apenas um mito romântico. Thomas Czarnecki retrata-a como um troféu de alguém – uma vitória que viola os princípios da ética e é fortemente desencorajada.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "The Beauty and the Beast - Not so romantic".

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "Jasmine - One last wish".

A Bela e a Fera ficaram aquém do romantismo, a Jasmine foi intoxicada com o seu último desejo, a Pequena Sereia morreu na praia e a ambição e curiosidade da Alice no Pais das Maravilhas aprisionaram-na a uma caverna sombria. O símbolo da sua curiosidade, o coelho branco, jaz morto.

conto, Czarnecki, de, fadas, morbido, Thomas, tragedia
© Thomas Czarnecki, "Alice - just a trap".

As fotografias de Thomas Czarnecki são o último suspiro dos contos de fadas, questionando as suas promessas e profecias.

sábado, 4 de agosto de 2012

"Los Maragatos”: um povo com sete vidas

 

"Los Maragatos”: um povo com sete vidas

 

Existem há séculos mas dizem-nos muito pouco. Localizado na província de Leão, Espanha, este povo insere-se num enclave geográfico e cultural, a “Maragatería”. Um autêntico achado que desafia o cavalgar da globalização. Têm tanto de enigmático como de puramente desconhecido. A sua identidade é a sua força e o mundo, o seu maior refúgio. Como?... É a história de um povo que resiste como “os gatos”.

maragatos espanha povo

© Maragatos de Murias de Rechivaldo (León, Espanha), (Wikicommons, Rodelar).

O termo parece aludir a uma espécie invulgar de felinos mas sabe-se que “maragato” deriva de “mericator”, “mercador”. Fizeram do comércio (e, recentemente, da música) a sua arte profissional, também pelas jazidas de ouro existentes no território. Apesar da resistência geográfica e da solidez cultural se manterem, hoje, contra as expectativas (mas tal só seria possível numa Espanha constituída pelas diferenças culturais e autonómicas), os “maragatos” fazem-se valer pela sua história e pelos seus costumes.

maragatos espanha povo

© Mapa Municipal de La Maragateria (León, Espanha), (Wikicommons, Tony Rotondas).

maragatos espanha povo

© Marmarole da Palus S.Marco no Inverno, (Wikicommons, Antonio De Lorenzo).

“Microclima” leonês

A “Maragatería”, comarca bem próxima do centro geográfico da província leonesa, é composta por mais de 50 “pueblos” e 8 “ajuntamientos”, sendo Astorga a localidade mais conhecida. Situa-se nas estepes montanhosas, quase cobertas por neve durante o ano e é, essencialmente, rural, pouco desenvolvida, com várias aldeias. Para o “maragato” Veja Carrera, falamos de 400 km quadrados de má e fria terra, sem grandes recursos, “alegrada”, apenas, pelo rio Turienzo e habitada por cerca de 15 000 pessoas.

Talvez resguardados pela encosta montanhosa e “debaixo” de neve, os seus hábitos e tradições não sofreram grandes variações. Como se diz que o que não mata torna-nos mais fortes, a força da globalização não parece, igualmente, ter chegado, até agora, perto deste composto populacional que se definiu como “maragato” entre seis a sete séculos atrás. Enquanto povo, são anteriores ao nome. Os seus cerimoniais e tradições ao estilo sacerdotal, com trajes típicos, parecem indiciar que não advêm de antigos berberes mas, sim, de fenícios ou judeus que chegaram antes da queda de Roma (talvez para explorar o ouro). Tais prováveis nómadas ter-se-ão relacionado com alguma primitiva tribo já lá fixada que reagia à romanização e que, entretanto, terá acabado por aceitar um monoteísmo semita, associado-o à sua anterior convicção religiosa.

maragatos espanha povo

© Vista de Teleno desde Astorga, (Wikicommons, Rodelar).

Esta cultura prima, acima de tudo, por uma singularidade que só espontaneamente e por via das circunstâncias se desenvolveu. As condições naturais e o histórico civilizacional e cultural deste povo acabaram por constituir um espaço de recriação e de desenvolvimento populacional único, como se de um “microclima” se tratasse. Em terra fria, o “calor” com origem nesse “micro-clima”, fruto da relação destas condicionantes, resultou na singularidade e é aqui que o Homem, por mais que tente distanciar-se, se assemelha cada vez mais à Natureza que o criou, tão igual às plantas.

maragatos espanha povo

© "El Maragato", ilustração do livro "Los Españoles pintados por sí mismos", edição de 1851, (Wikicommons).

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Mundo “globalizado” de contradições

A história “maragata” dita a importância da palavra para as vidas destas pessoas e para os seus negócios. A lealdade e a valentia eram outras das características pertencentes à matriz deste povo e que hoje, quer queiramos quer não, nos faz reflectir sobre a mudança das mentalidades da actualidade ocidental.

O maior refúgio desta cultura acabou por ser o mundo globalizado, em crescendo, sem que conseguisse apanhar o rumo deste localismo que, ainda assim, se descentralizou para a América Latina. Ainda que sendo um “pequeno ramo do corpo central” deste povo, os “maragatos”, no século XVIII, acabaram por fundar algumas povoações argentinas nas colónias espanholas da Patagónia, perante a ameaça, para a Coroa espanhola, de os ingleses e os franceses o fazerem primeiro. O actual território do Uruguai também viu estabelecer-se outra destas povoações.

Ainda que minimamente espalhado (pelo menos em tempos), este povo não pareceu nunca ter recebido generalizado reconhecimento e atenção do mundo. Bem pelo contrário. Em parte, por vontade dos próprios. A sua endogamia, inadvertidamente mas também enquanto parte integrante da sua cultura (mais em séculos anteriores do que agora), propiciou um maior isolamento face ao resto da sociedade, reforçando as próprias relações entre os da mesma “raça”, segundo Veja Carreira. O motivo para isso centrava-se na crença e no orgulho na sua génese biológica e na sua “consequente superioridade” sobre as tribos vizinhas, à custa da pureza de sangue, mais do que por questões de auto-defesa ou de mero isolamento.

De novo contra as expectativas, uma cultura deste cariz, pobre em número mas demasiado forte em simbolismo, resiste e insiste contrariando a tendência da globalização. Precisamente, protegendo-se dela, vivendo imiscuída no meio desse mundo quase sem fronteiras, que todos os dias influencia e sofre influências, por baixo da capa “global”. A estrutura social deste grupo vive e recria-se, centrada na suas tradições e no seu conservadorismo. Dificilmente, hoje, poderia ser alternativa às culturas mais abertas que vivem em seu redor. Mas, mais do que cultura, falamos de pessoas que não querem perder o seu pé. Querem, sim, ser tratadas como pessoas, no meio em que confiam. Seria realista desejar, em simultâneo, uma cultura aceite por todos e por cada um?

maragatos espanha povo
© Monumento ao Multiculturalismo de Francesco Pirelli, Union Station, Toronto, (Wikicommons, Robert Taylor).

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Mundo “globalizado” de contradições

A história “maragata” dita a importância da palavra para as vidas destas pessoas e para os seus negócios. A lealdade e a valentia eram outras das características pertencentes à matriz deste povo e que hoje, quer queiramos quer não, nos faz reflectir sobre a mudança das mentalidades da actualidade ocidental.

O maior refúgio desta cultura acabou por ser o mundo globalizado, em crescendo, sem que conseguisse apanhar o rumo deste localismo que, ainda assim, se descentralizou para a América Latina. Ainda que sendo um “pequeno ramo do corpo central” deste povo, os “maragatos”, no século XVIII, acabaram por fundar algumas povoações argentinas nas colónias espanholas da Patagónia, perante a ameaça, para a Coroa espanhola, de os ingleses e os franceses o fazerem primeiro. O actual território do Uruguai também viu estabelecer-se outra destas povoações.

Ainda que minimamente espalhado (pelo menos em tempos), este povo não pareceu nunca ter recebido generalizado reconhecimento e atenção do mundo. Bem pelo contrário. Em parte, por vontade dos próprios. A sua endogamia, inadvertidamente mas também enquanto parte integrante da sua cultura (mais em séculos anteriores do que agora), propiciou um maior isolamento face ao resto da sociedade, reforçando as próprias relações entre os da mesma “raça”, segundo Veja Carreira. O motivo para isso centrava-se na crença e no orgulho na sua génese biológica e na sua “consequente superioridade” sobre as tribos vizinhas, à custa da pureza de sangue, mais do que por questões de auto-defesa ou de mero isolamento.

De novo contra as expectativas, uma cultura deste cariz, pobre em número mas demasiado forte em simbolismo, resiste e insiste contrariando a tendência da globalização. Precisamente, protegendo-se dela, vivendo imiscuída no meio desse mundo quase sem fronteiras, que todos os dias influencia e sofre influências, por baixo da capa “global”. A estrutura social deste grupo vive e recria-se, centrada na suas tradições e no seu conservadorismo. Dificilmente, hoje, poderia ser alternativa às culturas mais abertas que vivem em seu redor. Mas, mais do que cultura, falamos de pessoas que não querem perder o seu pé. Querem, sim, ser tratadas como pessoas, no meio em que confiam. Seria realista desejar, em simultâneo, uma cultura aceite por todos e por cada um?

maragatos espanha povo
© Monumento ao Multiculturalismo de Francesco Pirelli, Union Station, Toronto, (Wikicommons, Robert Taylor).

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Daryl Feril ilustrando marcas.

 

O Propício das horas impróprias

Daryl Feril é um designer e ilustrador freelancer filipino. As ilustrações dele são um mix de desenhos impressionantes, linhas fluídas, curvas e aquarela. Você pode ver o progresso do estilo dele no decorrer dos anos. Confira o trabalho de Daryl que vale a pena.

Os grandes trabalhos do artista, que não requer palavras que expliquem, e sim sensibilidade visual e claro, uma boa dose de bom gosto.
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Daryl, transcende a comunicação da marca com seus traços e cores vibrantes, é como se deixar ser afetado por todos os quesitos da briefing, aí então se deslocar, e com um olhar distante, afetar de outro modo tudo quanto sabia, e dar uma nova conception a peça e a própria marca.
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Onde o bom gosto e combinação de elementos, exagerando sem exagerar, sendo clean com forte impacto visual, encontra - se o equilíbrio perfeito.
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O criativo, enquanto criado pelas inspirações, pelo conhecimento e técnica, capaz de criar, traduzir os elementos que compõem o universo que da vida ao imaginário.
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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Fotógrafa Cristina Núñez - Autorretratos Terapéuticos

'En 2010 la fotógrafa Cristina Núñez (1962, Figueras, Girona) relató en un libro de autorretratos como la fotografía le salvó de la adicción a las drogas. Nuñez empezó a tomar autorretratos en privado en 1988 para superar una adolescencia problemática. Estuvo en el infierno y la fotografía la sacó de allí. Las imágenes se convirtieron en una forma de auto-terapia. Hemos hablado con ella y nos ha contado como empezó y en qué momento está ahora.

Al principio me fotografiaba pensando que era una cuestión de vanidad

"Después de una adolescencia como heroinómana (de los 15 a los 20), tras un año y medio de centros de rehabilitación, empecé una psicoterapia para comprender mejor el por qué lo había hecho y empezar a resolver mis problemas de autoestima y de relación con los demás. También hice un curso de interpretación teatral, porque quería ser actriz, aparecer en el escenario y así ser 'vista'... Al cabo de dos años conocí un fotógrafo italiano, nos enamoramos y me trasladé a Milán, donde viví 24 años. Viéndole utilizar la cámara para capturar la fuerza y el carisma de las personas que retrataba, comprendí que era un instrumento potente y lo primero que hice fue dirigir el objetivo hacia mí misma... era el 1988. Años después comprendí que había encontrado la manera de darme a mí misma la mirada profunda que tanto necesitaba de los demás. Solo que esta vez, podía dármela yo misma. Era un paso importante hacia la independencia..."

'Self portrait with mom'.

Furia, vanidad, enfermedad, alegría, compasión... La exposiciónSomeone to love  reúne fotografías tomadas entre 1988 y 2011, imágenes de gran tamaño y más de cien fotografías de pequeño formato que ocupan el perímetro de la galería, formando una "linea de vida" en la que los autorretratos se combinan con fotos de sus antepasados y retratos que ella misma realizó de sus familiares, indagando en sus relaciones y buscando sus raíces a través de las emociones, los rostros y los cuerpos.

'Dancing for Manolo'.

"Al principio me fotografiaba pensando que era una cuestión de vanidad. No me daba cuenta de que estaba haciendo una especie de auto-terapia. Simplemente me divertía con la cámara y me gustaba verme guapa en las fotos. Tras seis años de autorretratos, empecé a fotografiar a los demás, y enseguida tuve éxito con mis fotos, gané premios, y construí proyectos de libros y exposiciones, mientras seguía haciéndome autorretratos, de vez en cuando. Fue solo después de la separación de mi marido y la muerte de mi padre, cuando tuve una crisis importante, un bajón enorme de autoestima que empecé a darme cuenta de que me hacía sentir muy bien, e intuitivamente me fotografiaba más a menudo. Me dí también cuenta de que si expresaba mi desesperación en una foto, se me pasaba enseguida, y me sentía incluso alegre... podía pasar a otra cosa".

'The fury'.

Blonde Cris.

 

La exposición se ha visto en la galería Skol Centre des Arts Actuels, en septiembre de 2011. Fue una de las 25 exposiciones del Mois de la Photo de Montréal 2011. Ahora, después de presentar los vídeos y una pequeña muestra de imágenes en diciembre de 2012, H2O expone ahora el proyecto completo por primera vez en Barcelona. Después de H2O de Barcelona, se irá a la galería Luova en Helsinki.

'Sick Cris'.

 

"La exposición es mi autobiografía, son 23 años de autorretratos. Hay muchas fotos que no están en el libro, pero en el libro hay muchas fotos de los últimos tres/cuatro años, por ejemplo todo el trabajo que hice con mi madre, acompañándola hasta el final. Además el proyecto autobiográfico es reciente, y es esencial. No es suficiente hacerse muchas fotos para hacer una buena exposición, la proyectualidad es esencial para crear una buena obra, rica y compleja pero con un hilo conductor (que en este caso es la línea de la vida que recorre el perímetro de la galería), de manera que no sea auto-referencial y los espectadores se puedan reflejar en mi trabajo. A menudo me dicen 'me imagino qué imágenes pondría yo de mi vida' o bien 'he hecho un viaje interior mirando tu exposición'.

A caballo entre Barcelona y Milán, Nuñez trabaja para extender las bases teóricas y prácticas del método que enseña en cárceles y centros de desintoxicación donde encuentra a personas que viven en el límite para ayudarlas a exorcizar sus miedos. Y sueña con crear un máster sobre el autorretrato terapéutico.

'I Am Aisha'.

 

"Soy una artista, pero también soy 'facilitadora de autorretrato terapéutico' según mi método The Self-Portrait Experience. Siendo artista, tengo intuiciones que se refieren al proceso creativo. Mi objetivo es la obra, es el proceso creativo, siento una total devoción al proceso creativo y es lo que realmente me interesa. Pero también se que el proceso creativo es muy terapéutico, que acelera nuestra evolución interior. Trabajo con todo mi ser para que el proceso creativo sea sublime, para que las obras sean potentes, magníficas, sé muy bien que puedo ayudar a los demás mucho mejor que si me ocupo de ellos. En mi estudio, las personas aprenden a convertir su propio dolor, sus emociones más difíciles, en obras de arte. La maravilla es que siempre es un éxito: siempre se produce una obra, tal y como yo la considero.

'Compensating the past'.

Pero lo mejor es que la obra se produce cuando yo no estoy en el estudio, y cuando están menos conscientes, cuando están en las profundidades de su 'caverna', es decir, de su identidad. De pronto, una de las imágenes es perfecta, tiene una composición sublime, y ha sido un proceso inconsciente. Por eso el proceso es terapéutico, es catártico. Unos terapeutas finlandeses se quedaron pasmados que en 10 minutos pudieran conseguir llegar tan profundamente, algo que no se consigue en una normal sesión de terapia. Muchas personas, tiempo después de mi taller, me han contado como el autorretrato les ha ayudado a verse de otra manera, a relacionarse con los demás de otra manera, a emprender caminos deseados y antes algo temidos, a cambiar sus vidas...

En mi estudio, las personas aprenden a convertir su propio dolor, sus emociones más difíciles, en obras de arte.

Con la Universidad Católica de Milán estamos realizando un proyecto de investigación sobre los efectos de este método sobre las personas. Hemos descubierto cosas estupendas: por ejemplo, de 39 adolescentes, 38 afirmaron que el autorretrato les cambió la percepción de sí mismos, les cambió su imagen interna... Y seguimos investigando! Me encanta trabajar con universidades (yo que no tengo ni siquiera una licenciatura...) y colaboro con muchas de ellas, en Italia, Finlandia e Inglaterra (y pronto con algunas españolas!), porque quiero que se demuestre científicamente el poder terapéutico de este método y que llegue a todas partes, a los hospitales, a las cárceles, a las empresas, las escuelas, museos, etc. etc... Ya trabajo en las cárceles catalanas, con el apoyo de La Caixa Obra Social... "

'I Am'.

Dos vídeos completan la exposición: un diaporama con la voz de la artista que narra su historia, y Higher Self,una presentación de su filosofía neo-humanista, su métodoy su visión del arte como instrumento para el activismo social. También se expone el resultado del taller que realizó en la galería con sesiones indivuales en el nuevo espacio experimental, “la clandestina”, de la galería H2O.

"Actualmente no me autorretrato mucho. En realidad no lo necesito. En mis talleres las personas se sacan autorretratos, solos en mi estudio, siguiendo mis instrucciones, y de alguna manera lo hacen también por mí... En el autorretrato nos convertimos en portavoces, encarnamos iconografías universales, donde los demás se pueden reflejar. Adquirimos un papel social importante, el del artista que expresa y comunica las necesidades más profundas (presentes y futuras) del ser humano... El último autorretrato lo hice hace 3 meses, cuando cumplí 50 años! Pero ahora tengo un nuevo proyecto, autorretrato en vídeo y con un tema interesante... pero por ahora es secreto..."

'Someone to love', de Cristina Nuñez, hasta el 10 de agosto de 2012, en la Galería H20. Barcelona. Carrer de Verdi, 152.