segunda-feira, 23 de agosto de 2010

LETICIA

LETICIA triste 7y7

Foi numa tarde assim. O vento soluçava
Agoirando do inverno a lúgubre hospedagem
No céu pálido, branco, há muito não rodava
Do sol a luminosa e rútila equipagem.
A derradeira flor, no jardim desfolhava
Sua pétalas. Era inóspita a paisagem
Em tudo uma tristeza imorredoira errava
Meu Deus! Que dolorosa e tristonha miragem!
E eu, sonhando, revia em meu dourado sonho,
O meu viver tranqüilo, o meu viver risonho,
Tento junto de mim o teu amor calmo e terno.
Reinava um frio intenso...e tu partiste, envolto
Num último sorriso a murmurar "eu volto"
E não voltaste mais! Voltou somente o inverno...
Tarde de Outono (Yde Schloenbach Blumenschein)

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Dizem que a gente tem o que precisa.
Não o que a gente quer. Tudo bem. Eu não preciso de muito. Eu não quero muito.
Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde. Mais dinheiro. Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia.
Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você.
Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca.
Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala.
Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais.
Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã.
Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro.
Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte:
nada é muito quando é demais.
Caio F. Abreu

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