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domingo, 5 de dezembro de 2010

Marguerite Duras

Considerado o livro mais autobiográfico da escritora, dramaturga e cineasta Marguerite Duras (1914-1996), O amante, escrito em 1984, recebeu o Prêmio Goncourt, o mais importante da literatura francesa e se consagrou como sua obra mais célebre. O romance narra um episódio da adolescência de Duras: sua iniciação sexual, aos quinze anos e meio...

O Amante - Marguerite Duras

Livros do Baixe Livro

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry

Publicado pela primeira vez em 1943 na Nova York em que foi escrito e, no ano seguinte, na França, o livro chegou à AGIR com o componente de acaso que, em geral, cerca a edição de fenômenos editoriais, já que a obra havia sido comprada por outra tradicional editora brasileira, que desistiu da publicação. Traduzida primorosamente por D. Marcos Barbosa, a versão brasileira chegou à livrarias em 1952, tendo vendido desde então mais de 4 milhões de exemplares.

O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry

Livro do Baixe Livro

sábado, 15 de maio de 2010

Michael Ondaatje



Michael Ondaatje.

O ano está a acabar e começamos a ser inundados pelas listas de balanço próprias da época. Não se preocupem, não vou fazer nenhum Top Ten, mas vou aproveitar para falar de um dos livros que li o ano passado e de que mais gostei. Trata-se de "Divisadero" de Michael Ondaatje.

Conheci (salvo seja) o senhor Ondaatje pela mão de Anthony Minghella, que adaptou ao cinema o seu romance mais famoso ("The English Patient" - O Paciente Inglês) e foi por isso premiado com uma chuva de óscares. Lembro-me de achar o filme um pouco académico, na altura em que o vi pela primeira vez. Entretanto passou-me e está num dos meus Top Tens pessoais, mas mais que isso, levou-me a ler o livro e a maravilhar-me com a escrita de Ondaatje.

Ondaatje nasceu no Ceilão e tem sangue Holandês, Tamil, Cingalês e... Português. Viveu em Inglaterra e aos 19 anos tornou-se cidadão canadiano, vivendo em Toronto desde essa altura.

O universalismo, o humanismo, a melancolia do amor perdido e a estupidez da guerra e da violência atravessam os seus romances e a sua poesia. Talvez, aliás, por ser também poeta, a sua prosa tem um lirismo incomparável e quando o leio, apetece-me fazer uma coisa que nunca faço: sublinhar furiosamente frases de que tenho vontade de nunca me esquecer. E releio-as vezes sem conta.

"Divisadero" é mais uma vez um romance sobre as relações familiares e amorosas, aquilo que une e separa pessoas, o sangue familiar e a emoção mais pura. Atravessa os grandes desertos americanos, a província francesa, os neons de Las Vegas, medos e amores, escrita e saudade com a mesma destreza, embalando-nos como se na verdade um romance de umas 300 páginas fosse apenas um poema de Alberto Caeiro, sobre o pó da estrada e os pés que o pisam.

Sou parcial, claro. Já tinha adorado "Anihl's Ghost" e devoro mais ou menos tudo o que ele escreve, mas como a tradução para Português há-de aparecer para o ano que vem ou seguinte... já aqui fica a recomendação.


Há já muitos anos que tinha lido este romance de Milan Kundera, mas a memória foi-se desvanecendo, até chegar ao ponto de somente lembrar o quão era fascinante, sem, no entanto, memória do conteúdo que para isso contribuiu. Em 1988 Philip Kaufman realizou um filme com o mesmo nome da obra, e cujos protagonistas, Daniel Day-Lewis e Juliette Binoche, deram consistência às imagens já formadas com a leitura. O filme é sublime e recomenda-se.
Sobre o livro, Italo Calvino escreveu: "O peso da vida, para Kundera, está em toda forma de opressão. O romance mostra-nos como, na vida, tudo aquilo que escolhemos e apreciamos pela leveza acaba bem cedo se revelando de um peso insustentável. Apenas, talvez, a vivacidade e a mobilidade da inteligência escapam à condenação -- as qualidades de que se compõe o romance e que pertencem a um universo que não é mais aquele do viver"

Recordando alguns momentos da obra:

"...Enquanto as pessoas são novas e as partituras musicais das suas vidas ainda só vão nos primeiros compassos, podem compô-las em conjunto e até trocarem temas (como Tomas e Sabina trocaram o tema do chapeu de coco). Porém, quando se conhecem numa idade mais madura, as suas partituras musicais já estão mais ou menos acabadas e cada palavra, cada objecto, tem um significado diferente na partitura de cada uma..."

"Para Sabina, viver significa ver. A visão encontra-se limitada por duas fronteiras: Uma luz de tal modo intensa que nos cega e uma obscuridade total. Talvez seja daí que lhe vem a repugnância por todos os extremismos. Os extremos marcam a fronteira para lá da qual não há vida, e, tanto em arte como em política, a paixão do extremismo é um desejo de morte disfarçado."

"... Franz é forte, mas a força dele está unicamente voltada para fora. Com as pessoas com quem vive, com aqueles que ama, é muito fraco. A fraqueza de Franz chama-se bondade. [...] Então perguntou a Franz: 'E porque é que de tempos a tempos não te serves da tua força contra mim?
- Porque amar é renunciar à força', disse Franz, com duçura.
Sabina percebeu duas coisas: primeiro, que aquela frase era bela e verdadeira; segundo, que, com aquela frase, Frans acabara de se desvalorizar para sempre na sua vida erótica"

"Mas o que acontecera ao certo a Sabina? Nada. Deixara um homem porque queria deixalo. Esse homem tinha vindo atrás dela? Tinha querido vingar-se? Não. O seu drama não era o drama do peso, mas o da leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser."

quarta-feira, 5 de maio de 2010

T.S.ELIOT



"Cada dia é um novo começo."

(Thomas Stearns Eliot)

Norte-americano, Inglês Naturalizado. Poeta, crítico literário, dramaturgo e editor. Thomas Stearns Eliot nasceu em 26/9/1888, Saint Louis, Missouri. Faleceu em 4/1/1965, Londres. Considerado um dos principais nomes da poesia moderna de língua inglesa. Estuda nas universidades de Harvard (EUA), Oxford (Inglaterra) e Sorbonne (França). Em 1915, desencantado com a vida cultural dos EUA, muda-se para Londres, onde trabalha no Lloyds Bank durante sete anos. Em 1917 publica A Canção de Amor de John Alfred Prufrock, de influência simbolista. Seus ensaios em The Sacred Wood (1920) iniciam uma revolução nos critérios da análise literária.

O reconhecimento internacional é alcançado com A Terra Devastada (1922), sua obra-prima. É uma longa descrição poética da Europa desolada do pós-guerra e uma síntese dos grandes momentos da civilização ocidental. Além dos simbolistas franceses, o escritor italiano Dante Alighieri influencia sua obra, que explora os mecanismos da consciência. Em 1927 naturaliza-se inglês e converte-se ao anglicanismo. Recebe o Prémio Nobel de Literatura em 1948. Escreve as peças Murder in the Cathedral (1935), The Family Reunion (1939) e The Elder Statestman (1958), entre outras.

quarta-feira, 28 de abril de 2010








Poemas, Herman Melville
17 July 2009 1 Comentário
Estes Poemas de Herman Melville são uma selecção de três livros: Fragmentos de Batalha e Aspectos da Guerra, John Marr e Outros Marinheiros e Timoleon,etc, editados pela Assírio & Alvim.

Segundo Elizabeth, a filha, Herman Melville começou a escrever poesia em 1859, aos 40 anos de idade, replicando a fraca excitação do público perante livros como Moby Dick, ignorado à época, apesar de Melville ter conseguido obter algum sucesso com outros títulos.

Curioso que Mário Avelar, o responsável pela selecção e tradução, conclua a nota introdutória sugerindo que as suas traduções sejam sim, versões dos poemas. A edição é bilingue (o original Inglês é bem mais complexo), e o que contribuiu para que esta tradução competente seja apelidada de versão, é o desaparecimento quase total da rima.

Os poemas seleccionados, publicados entre 1866 e 1891 (ano da morte de Melville), são curtos, mas ainda assim os mais relevantes e exemplificativos da poesia de Herman Melville. Movimentam-se nas mesmas paisagens marítimas da outra obra do autor, bem como na própria vida deste.

O mar destes versos tem mais a ver com navios afundados no fundo do Oceano, do que com alvoradas em alto mar com céu azul. Nos poemas dos dois primeiros volumes, existem raízes profundas, francamente Americanas, dada a constante menção aos locais e intervenientes da Guerra Civil. Principalmente em poemas de Fragmentos (…), há um uso meticuloso de vocabulário científico, sendo que a tradução parece mais literata, de um original mais rude, de marujo, mas com uma construção que obedece ao pensamento e não à escrita

O lamento de Melville perante o desvanecer dos valores morais é sentido em todos os poemas, num canto saudoso e que lastima o presente, num autor que se viu rodeado de morte, nomeadamente teve de enterrar dois filhos a quem prevaleceu. A caminhar para o fim da vida, começou a perder o fulgor e o reconhecimento do público, apenas Fragmentos de Batalha e Aspectos da Guerra foi lançado sem ser em edição de autor, e, mesmo assim, apenas vendeu 468 cópias nos primeiros dois anos, de uma edição de 1260.

A única incongruência será a inclusão do último tomo de poemas, Timoleon, etc, de inspiração Grega, mais celestial, com mais luz nos versos, uma esperança que Herman Melville parecia conquistar à medida que a hora da morte se aproximava.

Uma versão leve da obra poética de Melville, que funciona como um bom campo de entrada para descobrir mais do autor, bem como actualiza a memória deste, num país com fortes tradições em poesia de influência marítima.

“Shiloh”

(Abril de 1862)

Flutuando levemente, descrevendo círculos,
Pairam as andorinhas
Sobre o campo em dias nublados,
O campo da floresta em Shiloh-
Sobre o campo onde a chuva de Abril
Confortou corpos ressequidos em sofrimento
Ao longo da pausa da noite
Após o combate de domingo
Em torno da igreja de Shiloh-
A igreja solitária, de troncos feita,
Que para tantos ecoou lamentos de despedida
E sinceras preces
De adversários moribundos ali se confundiram -
Adversários ao amanhecer, amigos ao crepúsculo-
Fama ou país pouco lhes importa:
(Tal como uma bala pode enganar!)
Mas agora no solo jazem
Enquanto as andorinhas sobre eles flutuam,
E o silêncio se instala em Shiloh.


De todas as obras de Kafka esta é aquela em que mais nitidamente o autor consegue aliar o obscuro ao real. Caricatura do real? Talvez. Mas mais do que isso, é uma história que leva ao extremo a angustia de um homem perdido num mundo aparentemente irreal em que está inserido. A existência de Joseph K. transforma-se numa procura desesperada de conhecimento e compreensão da vida que alguém lhe destinou. Angustiante. Deprimente. Real.
Em O Processo estamos perante uma das mais comuns e significativas razões da angustia humana: a necessidade de conhecer e compreender; o desespero provocado pela ignorância, quando esta coabita com a necessidade do conhecimento. Mas este é apenas o ponto de partida!
O Processo retrata o desajuste entre o ser humano, entendido na sua dimensão individual, e um Estado totalitário, impessoal, que paira num universo desconhecido, longínquo…
Franz Kafka é o escritor do “absurdo”, como o tinha sido Dostoievsky, como seria Camus. Mas o absurdo de Kafka, ao contrário do filósofo francês, é um absurdo transcendental; reside na incomunicabilidade do homem com o homem, formando uma trama de relações pessoais sem sentido, impostas por circunstâncias alheias ao homem. Joseph K. não consegue chegar até à justiça, que, lentamente, se transforma numa entidade misteriosa e quase irreal. Joseph não compreende a justiça. Nem os homens, nem Deus. O absurdo está na ausência de compreensão mas ela deriva da ausência de comunicação. Daí o desespero, a solidão e o absurdo que cobre o mundo dos homens.
A culpa de Joseph é a sua existência; única resposta possível para a angustia do desconhecimento da acusação. É o culminar de uma espiral de desespero que revela uma visão dolorida da alma humana e, acima de tudo, da sociedade humana.

segunda-feira, 26 de abril de 2010





Um palíndromo, como devem saber, é uma palavra ou um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos - normalmente, da esquerda para a direita ou ao contrário, da direita para a esquerda. Exemplos: OVO, OSSO, RADAR. O mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso do conhecido SOCORRAM-ME, SUBI NO ÓNIBUS EM MARROCOS, que foi o que sucedeu à nossa amiga Tajana. Perante o vosso interesse pelo assunto (confessem que foram todos ler a frase de trás para a frente, vá lá) tomámos a liberdade de seleccionar alguns dos melhores palíndromos da língua de Camões...

ANOTARAM A DATA DA MARATONA

ASSIM A AIA IA A MISSA

A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA

A DROGA DA GORDA

A MALA NADA NA LAMA

A TORRE DA DERROTA

LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL

O CÉU SUECO

O GALO AMA O LAGO

O LOBO AMA O BOLO

O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO

RIR, O BREVE VERBO RIR

SAIRAM O TIO E OITO MARIAS

ZÉ DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ

quinta-feira, 22 de abril de 2010




Moleskine é simplesmente um notebook de capas pretas envolvido por um elástico, que foi utilizado por diversos artistas e intelectuais. Desde Van Gogh, Matisse, Céline a Hemingway, todos perpetuaram suas notas num Moleskine e através dele moldaram a cultura que herdamos.

De uma forma ou de outra, nos dias que correm várias pessoas usam este notebook, quer pela utilidade, quer pelo fascino da marca, ou talvez com a vã esperança da inspiração divina. Não contesto de forma alguma o Moleskine, pelo contrário, acho-o extremamente elegante, prático e com uma óptima qualidade. O que considero verdadeiramente hilariante é vê-lo nas mãos de pessoas que não o usam, mas passeiam-no simplesmente pelo facto de se julgarem mais eruditos por andarem com um. Assim, como quem não quer a coisa, sempre se pode dar uma de intelectual e dizer que foi o notebook de Ernest Hemingway - sempre fica bem, não?

Durante um período da minha vida, usei Moleskine - falarei sobre isto oportunamente - mas actualmente, para que conste - chamem-lhe rebeldia - prefiro o papel de 100gr de um Winsor & Newtow. Uma fase, talvez.




O homem não é mais do que a sua imagem. Os filósofos bem podem explicar-nos que a opinião do mundo pouco conta e que só importa aquilo que somos. Mas os filósofos não percebem nada. Enquanto vivermos entre os seres humanos, seremos aquilo que os seres humanos considerarem que somos. Passamos por velhacos ou manhosos quando não paramos de perguntar a nós próprios como nos vêem os outros, quando nos esforçamos por ser o mais simpáticos possível. Mas entre o meu eu e o do outro, existirá algum contacto directo, sem a mediação dos olhos? Será pensável o amor sem uma perseguição angustiada da nossa própria imagem no pensamento da pessoa amada? Quando deixamos de nos preocupar com a maneira como o outro nos vê, deixamos de o amar.

Milan Kundera, in "A Imortalidade"